Como conversar com um familiar que aposta demais?
O objetivo da primeira conversa não é confissão — é abrir a porta. Roteiro prático, com o que dizer e o que evitar.
Escolha o momento: nunca durante briga, nunca logo após uma perda, nunca na frente de outras pessoas. Um café calmo vale mais que dez confrontos.
Comece pelo que você vê e sente, sem acusação: “Tenho notado você preocupado, dormindo mal. Estou aqui, quer conversar?” Frases na primeira pessoa abrem; “você é um viciado” fecha. Não exija confissão completa — minimizar faz parte do problema, e a porta aberta hoje vale mais que a verdade inteira agora.
O que ajuda: “Isso tem tratamento, e eu vou com você.” / “Não estou aqui para julgar.” / “Vamos entender juntos o tamanho das dívidas, com calma.” O que piora: humilhação, ultimato em momento de crise, sermão sobre caráter — o transtorno do jogo é condição de saúde reconhecida, não defeito moral.
Proteja as finanças da casa em paralelo: separe as contas essenciais, evite empréstimo em seu nome e não pague dívidas repetidamente sem plano — sem mudança de comportamento, o alívio de hoje financia a aposta de amanhã. Proponha passos concretos: autoexclusão juntos, visita à UBS, os grupos de apoio.
E cuide de você: familiar também adoece. O CVV (188) escuta você também, e o CAPS acolhe famílias. Se houver menção a se machucar, leve a sério: 188 imediatamente e, em risco em curso, SAMU 192.
Precisa de ajuda agora?
Caminhos imediatos · Autoexclusão · CVV 188 (24h) · SAMU 192.